74% dos brasileiros concordam com isenção de IR para renda até R$ 5 mil mensais

Foto: Freepik Pesquisa do Instituto de Pesquisa Realtime Big Data, encomendada pela Rede Record de Televisão e divulgada nesta quarta-feira (19), aponta que 74% dos brasileiros são favoráveis ao projeto de lei que prevê isenção do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) para os cidadãos que ganham até R$ 5 mil mensais, além de desconto parcial para quem ganha até R$ 7 mil mensais. A proposta, de autoria do presidente Lula (PT), foi encaminhada ao Senado e, se transformada em lei, valerá a partir de 2026. “Ao conceder isenção de Imposto de Renda para pessoas com ganhos de até R$ 5 mil, o Governo Lula dialoga com as classes mais baixas da população, já em um gesto para 2026. Também fez parte dessa estratégia a liberação para o saque do FGTS, anunciada recentemente. Na prática, o presidente Lula já prepara o terreno para as próximas eleições”, analisa o sócio estrategista do Realtime Big Data Wilson Pedroso. O Realtime Big Data ouviu 1.200 pessoas entre os dias 17 e 18 de março, e...

A expressão da mulher brasileira no 7 de setembro

 *Patrícia Rodrigues Augusto Carra

Patrícia Carra (F: Fabi Guedes)
O empoderamento feminino corre no sangue da mulher brasileira e não é à toa. Apesar da falta de destaque às ações e aos pensamentos femininos nas narrativas históricas, mulheres são agentes ativas nos processos históricos. Por isso, não é possível passar a semana da Independência sem lembrar das que lutaram na guerra de Independência, como Maria Quitéria, voluntária na batalha contra as forças de Portugal. 

Ela não foi a única. Registros mencionam a existência de várias outras mulheres atuantes na Independência do Brasil. Um processo marcado, também, pela violência.  Se no dia sete de setembro aconteceu a proclamação da Independência com um grito de Dom Pedro, a emancipação política do Brasil foi um acontecimento mais longo e complexo. Na Bahia, muitas mulheres guerrearam de arma em punho, lideradas pela própria Quitéria, em batalhas como a do rio Paraguaçu; muitas outras lutaram sob a liderança de Maria Felipa.

A narrativa histórica oficial – de forma muito tênue – só registrou duas mulheres como heroínas: Maria Quitéria, ouso dizer, quase como musa numa versão amazônica, e Soror Angélica, na qualidade de mártir.

Mais de um século após o fim das lutas pela Independência do Brasil, Maria Quitéria foi reconhecida como Heroína das Guerras pela Independência e, em 1953, por ordem do governo brasileiro, seu retrato foi inaugurado em estabelecimentos do Exército. Mas somente a partir de 2018 foram admitidas mulheres na Academia Militar das Agulhas Negras para serem formadas combatentes do Exército Brasileiro.

Quitérias, Soror Angélicas, Marias Felipas... muitas mulheres romperam com os padrões vigentes de suas épocas. A historiografia nacional, em geral, concede a Maria Quitéria patriotismo como o valor justificante para sua transgressão; contudo, também ressalta a redenção ao papel dela esperado enquanto mulher de sua época.

Ela não ocupa grandes espaços nos manuais de História e, em geral, é resumida à mulher que fugiu de casa para lutar na Guerra de Independência. Maria Quitéria, porém, é muito mais que isso: é sinônimo de empoderamento, com valores que incentivam a busca de autonomia, a coragem para trilhar caminhos diferenciados, o autoconhecer-se. Não é a mulher que se disfarçou de homem e lutou em uma guerra, mas a que ousou escolher e se ‘empoderar’ numa época em que o termo nem existia.

Ao resgatarmos trajetórias de mulheres em processos históricos, como o da emancipação política brasileira, é possível fazermos novos questionamentos e leituras de lugares, de espaços e da sociedade desejada. É possível reconhecermos valores que contribuam com o buscar de uma sociedade cujo marco seja a equidade.

*Patrícia Rodrigues Augusto Carra é doutora em Educação, psicopedagoga, historiadora e pesquisadora. É autora do livro infantil “Maria Flor” e fundadora da revista digital Histori-se.

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