Burnout avança entre mulheres e tem efeitos na vida sexual

Da Redação

O Dia do Orgasmo (31 de julho) ainda é abordado com tons de piada e memes, mas a médica ginecologista Ana Flávia Cavalcante, membro da Singulari Medical Team, reforça a importância de se falar sobre o assunto de forma a esclarecer dúvidas e desfazer mitos que podem estar prejudicando tanto a sexualidade feminina como a vida conjugal de diversos casais.

De fato, uma série de fatores podem estar afetando a intimidade feminina, desde a insatisfação com a aparência do órgão genital – que atinge 68% das brasileiras – até o burnout – presente em 44% dos brasileiros durante a pandemia –, que seria uma das causas da redução da libido.

Inimigos do orgasmo

Os efeitos negativos nesses cenários são variados. O burnout desencadeia uma série de sintomas físicos e mentais como tonturas e dores de cabeça, cansaço excessivo, ansiedade, pensamentos excessivamente negativos, insegurança e outros. Tudo isso, aliado à insatisfação com a própria região íntima, tende a afastar a mulher do ato sexual.

“É muito comum eu atender mulheres com baixa autoestima e vergonha do próprio corpo, relatando que a aparência da sua região íntima é desagradável e traz insegurança”, relata a médica. “Algumas evitam mostrar seu corpo, tirando a roupa no escuro. Outras evitam relação sexual a todo custo”, afirma Ana Flávia.

Além disso, a ginecologista ressalta que os efeitos disso podem ser notados de diversas formas, seja pela redução no desejo sexual ou pela diminuição drástica na lubrificação e até no surgimento de dores durante a penetração. De fato, Ana Flávia reforça que o mecanismo por trás do orgasmo é complexo e vai além do contato entre órgãos genitais. “É necessário que haja desejo, prazer, relaxamento. A insegurança, o estresse, o cansaço e a dor são obstáculos que impedem a mulher de desfrutar tanto do momento da relação como de sua sexualidade no geral”, avalia.

Mudança de rotina

De fato, existem uma série de tratamentos que podem ajudar a recuperar a qualidade sexual e de vida da mulher, contudo, Ana Flávia reforça que a solução começa mesmo na mudança de alguns pontos na rotina. “A mulher é uma vítima do burnout e não é por acaso. Esse cansaço e o estresse vêm da jornada dupla, da sobrecarga no dia a dia. Tudo isso inevitavelmente diminui a libido da mulher”, reforça.

Diante disso, a especialista ressalta a importância de alguns hábitos simples, mas ainda muito ignorados. “Nós mulheres precisamos aprender a dividir as responsabilidades com o parceiro. Isso vai ajudar a diminuir o estresse diário. Também é importante adotar a prática de uma atividade física que você goste, ter alimentação equilibrada e a sensação de autocuidado. Tudo isso pode ajudar na libido feminina”, completa.

Caso seja necessário, a estética íntima também tem sido uma aliada para derrubar barreiras e melhorar a saúde, a autoestima e a confiança das mulheres. “Defendo a busca pela nossa realização e satisfação pessoal, sem contar os benefícios funcionais que esses procedimentos proporcionam”, reforça a ginecologista.

Contudo, Ana Flávia explica que alguns pontos precisam ser levados em conta na decisão por buscar tratamentos. “A mulher deve pensar: ‘Eu preciso mesmo disso? Vai me fazer bem? É o que realmente me afeta? É um desejo meu ou é para agradar alguém?’. Nunca se esqueça, o mais importante de tudo é você estar bem consigo mesma. Não existe um padrão para a região íntima e jamais existirá. Cada vulva é única, assim como você”, reforça. Acima de tudo, a especialista também ressalta a importância de a mulher valorizar seu bem-estar e entender que a sexualidade não é um tabu, mas parte fundamental da sua saúde.

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