Especialista explica a dificuldade de a vítima perceber que está numa relação abusiva

Da Redação

Um sentimento de culpa a maior parte do tempo. A pessoa se esforça para melhorar a relação amorosa, mas não é possível pois, segundo o outro, o erro sempre é dela. Esses são alguns sinais de um relacionamento abusivo e que muitas vezes vêm acompanhados de violência psicológica e até mesmo física. O amor, a paixão e o envolvimento podem dificultar a identificação do tipo de relação que a pessoa está vivendo. 

O psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Bruno Ferreira, destaca que, em grande parte dos casos, é difícil observar sinais de abuso no início de uma relação. “Para entender o relacionamento tóxico, ou abusivo, é preciso ter em mente que ele não tem a ver apenas com agressão, mas também com a intenção de desmerecer o outro. É preciso compreender que o relacionamento abusivo não é 100% abusivo, senão ele não se mantém, existe a fase de lua de mel e a fase de explosão, tendo a figura do opressor e do oprimido”, detalha. 

É identificado nesse tipo de relação, a desigualdade de poder que um exerce sobre o outro. Geram-se sentimentos recorrentes, como: dúvidas, confusão mental, ansiedade, insegurança e a falsa esperança que o parceiro mude. “Além do que, o outro se torna o centro da sua vida e seu comportamento é moldado com referência ao que o parceiro espera. Consequentemente, a relação da vítima com a família, amigos, trabalho e, principalmente, consigo mesma são afetadas”, pontua o especialista. 

O psicólogo acrescenta que é importante que a pessoa fique atenta. “Eu costumo dizer que em um relacionamento saudável a pessoa sempre venha para somar. Um parceiro abusador sempre vai querer te afastar das outras pessoas, da família e amigos. Além disso, vai te privar de atividades que você gosta de fazer, se ele não estiver incluso. Tudo tem que girar em torno dele, e a vítima acaba dependente dele para tudo”, alerta. 

Segundo o profissional, muitas vezes as consequências de um relacionamento abusivo são as diferentes formas de violência. A vítima, por medo ou vergonha, silencia sobre as atitudes. “É comum observar alguns tipos específicos de violência nesse tipo de relação, tais como de natureza emocional, psicológica, física, sexual, financeira, podendo ser até tecnológica. Sendo esta última, quando o parceiro tem controle sobre as redes sociais da vítima, insiste em obter senhas pessoais, controlar as conversas, as curtidas e outras ações”, destaca.

Em todos os casos de relacionamento abusivo observa-se a violência psicológica sobre a vítima. “A violência psicológica é tão grave quanto a física. No entanto, ela é ignorada e muitas vezes vista como sinal de ‘fraqueza’ da vítima de relacionamento abusivo, dificultando o reconhecimento.

Os sinais mais comuns para reconhecer o comportamento de uma pessoa agressora são: reações violentas de ciúme, chantagens emocionais, manipulação psicológica, possessividade e controle, comportamento agressivo, violência sexual, desvalorização, desrespeito com outras pessoas, jogos de poder e, evidentemente, casos de agressões físicas. Qualquer outro meio, que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”, sinaliza.

Já a violência física é mais fácil a identificação. “Ações que ofendam a integridade ou a saúde do corpo como: bater ou espancar, empurrar, beliscar, atirar objetos na direção da mulher, sacudir, chutar, apertar, queimar, cortar ou ferir”, alerta.

Confira alguns sinais de um relacionamento abusivo:

Ciúme excessivo

Com a justificava de “amar demais” o ciúme vira justificativa para o controle. É normal que uma pessoa sinta medo de perder quem ama. Mas quando isso passa a virar argumento para controlar a tomada de decisão do outro, agressões, ofensas ou invasão de privacidade, é excessivo.

Afastamento de outras pessoas

As justificativas podem ser muitas: os amigos são má influência ou dão em cima do companheiro. O abusador também pode alegar não gostar de determinadas pessoas por não “o tratarem bem”. O fato é que vai exigindo que o outro se afaste das pessoas mais próximas.

Destruição da autoestima

Se no começo da relação a pessoa era incrível para a outra, aos poucos isso vai mudando. A mudança começa com “críticas construtivas”, que vão se tornando cada vez mais comuns e pesadas. Sem perceber, a vítima vai perdendo a autoestima até o ponto de achar que é alguém tão ruim que nenhuma outra pessoa irá amá-la se a relação terminar.

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