Primeira executiva trans do Brasil lança autobiografia

Da Redação

Uma história de vida para inspirar pessoas de todos os gêneros, cores, classes e idade. Na autobiografia Sou Danielle, a executiva Danielle Torres, eleita uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina, revela detalhes da trajetória até se tornar a primeira executiva trans do Brasil. As situações de violência, preconceito, machismo e discriminação que passou desde a escola, além dos anos de terapia e o desenvolvimento profissional são revelados no lançamento da Editora Planeta.

Ela afirmou-se como Danielle quando já ocupava um cargo de diretoria na empresa em que trabalha. Até então, era o “Torres”. Não apenas recebeu apoio institucional para as mudanças, como também foi convidada, mais tarde, a fazer parte do quadro societário em uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo.

Até esse momento chegar, lutou para se encaixar no gênero masculino. Com a ajuda da terapia, ela percebeu que era hora de fazer a afirmação de gênero. A empresa preparou os escritórios em outros países para dar o suporte necessário neste processo, o que se tornou uma jornada de aprendizado a todos. Com a carreira consolidada no Brasil e nos Estados Unidos, ela é referência para profissionais trans que buscam espaço e afirmação no mercado de trabalho.

Só eu sabia a imensa caminhada que havia percorrido até aquele ponto. Quanto sofri, fui humilhada, excluída e ridicularizada. Como fui agredida, física e psicologicamente. As inúmeras vezes que me sexualizaram sem qualquer motivo; a falta de respeito constante; as diversas ocasiões em que atribuíram problemas e questões de terceiros a mim. Eu era aquela que já havia sido chamada de “uma vergonha” e que tivera a própria sanidade questionada.
(Sou Daniellepágina 18)

Esta autobiografia abre um diálogo importante sobre o fato de apenas 4% da população trans estar empregada no mercado formal brasileiro. Isso sem contar que o cenário para as pessoas transgênero no Brasil é o pior possível: o país é o que mais mata essa população no mundo. Claramente Danielle é um case, mas também conta que o sucesso profissional e o privilégio de ter nascido numa família de classe alta nunca a pouparam de humilhações na vida social e de um profundo sofrimento psíquico.

Neste livro, a executiva revela agressões que sofreu na infância, relacionamentos afetivos equivocados da juventude, bulimia, ataques de pânico, desconforto com o corpo e os muitos anos de terapia. E aquece o coração do leitor ao confidenciar o encontro com o grande amor, tatuagens, calcinhas, vegetarianismo e caratê.

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