Alunos de Goiás ganham bolsa de intercâmbio e viajam neste mês

Da Redação

Se surgiu em meio a conflitos, quando motoristas voluntários de ambulâncias da Primeira e Segunda Guerra Mundiais decidiram criar a rede global AFS para evitar lutas futuras por meio de intercâmbio e entendimento cultural, reforça sua missão nestes tempos de confrontos na Ucrânia, que abala todo o mundo. O AFS do Brasil divulgou os nomes de 16 jovens, de oito estados, selecionados para bolsas integrais de estudo nos Estados Unidos, Índia, Bélgica, Egito e Reino Unido. Eles viajam em julho deste ano.

É o AFS Global STEM Changemakers, programa do AFS financiado pela BP e que vai levar os estudantes, de 15 a 17 anos, a participar de serviços comunitários e a visitarem operações locais inovadoras e focadas em sustentabilidade. Eles vão ter a chance de ver como empresas e organizações estão usando as habilidades STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) na prática para enfrentar os desafios da indústria e da sociedade, principalmente na questão ambiental.

Dois goianos estão na lista de bolsistas: Roberta de Sousa Costa, de Goiânia, e Rodrigo da Silva Borges, de Goianésia, ambos com 16 anos.

O CEO do AFS, Daniel Obst, diz que a missão da organização é promover a compreensão intercultural para ajudar a desenvolver um mundo mais justo e pacífico. Capacitar pessoas de todas as idades e origens com habilidades, atitudes e valores de que precisam para tornar a vida melhor, por meio de programas de intercâmbio, iniciativas de educação e voluntariado. “Os desafios locais que todos enfrentamos em nossas comunidades, bem como questões globais como a pandemia, as mudanças climáticas e agora a guerra na Ucrânia fortalecem nossa crença de que priorizar uma troca aberta de pessoas e ideias é de suma importância”, afirma.

Os programas do AFS, explica o CEO, promovem a competência global, o empoderamento que os jovens precisam para causar impacto em uma sociedade mais diversificada e na economia. “Cidadãos globais ativos devem estar preparados para se comunicar, colaborar e liderar com as diferenças para enfrentar os maiores desafios do mundo.” Ele cita que estudo feito com mais de 10 mil ex-alunos do AFS comprova que esses jovens são mais autoconscientes e de mente aberta, têm maior respeito por outras pessoas e suas ideias, crenças e pontos de vista, e mostram um nível médio mais alto de desenvolvimento em sensibilidade intercultural

“Eles também são altamente propensos a se voluntariar em organizações comunitárias”, informa Daniel Obst. Entre os ex-alunos do AFS, aponta, estão pessoas como Gabriel Boric, o recém-eleito presidente do Chile; Jan Eliasson, que atuou como vice-secretário-geral das Nações Unidas; Christine Lagarde, liderando o Fundo Monetário Internacional e agora o Banco Central Europeu, e Samantha Cristoforetti, primeira mulher a comandar a Estação Espacial Internacional. “Mesmo que você não saiba seus nomes, cada um dos 500 mil nossos ex-alunos fez uma mudança positiva na vida de outras pessoas, não importa onde estejam.”

O AFS é a mais antiga organização de intercâmbio para jovens do mundo – tem 105 anos e está no Brasil há 66. A ONG sem fins lucrativos oferece oportunidades de educação intercultural de qualidade impactando mais de 65.000 indivíduos todos os anos, em mais de 60 países. Tudo possível com o trabalho de 50 mil voluntários em todo o mundo. No Brasil, são mais de 500 voluntários, que se dividem em cerca de 100 cidades brasileiras. “O que torna o AFS tão especial é que somos uma organização dirigida por voluntários, com 50.000 voluntários em quase 2.000 localidades/seções ao redor do mundo. Nenhuma outra organização tem um portfólio tão global, multilateral e diversificado de programas que transformam vidas,” diz o CEO.

Os programas de estudos no exterior variam de duração – de semanas a um ano – e abrangem temas oportunos e atemporais, como sustentabilidade e aprendizado de idiomas. Há high school, cursos de idiomas, voluntariado no exterior, estágios, gap year, intercâmbios de professores e programas de curta duração. Em comum, o compromisso de promover a competência intercultural e global dos alunos, professores, famílias, escolas e comunidades.

A funcionária pública federal Izabel Macedo, de Nioaque (MS), já recebeu 15 estudantes do AFS vindos de diversos países como Bélgica, Itália, Alemanha, Áustria, Costa Rica, Japão, Tailândia, Chile e França. Começou por causa da filha Lizziane, que após a perda da avó, quis ter um “irmão hospedeiro” porque sempre foi apaixonada por línguas. “Aqui, no interior do Pantanal, eu nunca havia ouvido falar em intercâmbio”, conta Izabel. Fez procura na internet, encontrou o AFS em Campo Grande e 4 meses depois já estava com uma aluna belga em casa. Isto em 2008, não parou mais e virou voluntária.

“Aprendi a ser mais tolerante, a aceitar o diferente, tornei-me uma cidadã do mundo sem sair de casa. Mas também percebi que ensinei muito para meus filhos hospedeiros, pois no final da experiência eles sempre deixavam uma carta de agradecimento”, relata a funcionária pública. Ela lembra que é tão nítida a mudança de quando chegam à sua casa, imaturos, e vão embora adultos responsáveis.

A professora universitária Raquel Mendes Pinto, de Belo Horizonte (MG), também percebe isto. Sua família acolhe intercambistas desde 1972. Ela resolveu seguir o exemplo, passou a recebê-los e enviou os filhos para viverem a experiência pelo AFS. Abriu as portas de sua casa para três garotas alemãs. “Aprendi muito com elas, criamos um laço de amizade grande”, diz.

Raquel vê uma vivência muito enriquecedora em acolher estudantes de outros países. “São adolescentes, na faixa dos 17 anos, com histórico de criação, costumes, tradições diferentes da nossa. É preciso ter estratégia para lidar, ter carinho, cuidado com a linguagem e respeitar a cultura deles. Quebrar as barreiras.” Mas ela acredita que conseguiu e viveu o outro lado: fez intercâmbio, aos 54 anos. Ficou 30 dias nos Estados Unidos, em 2019.

Essas experiências marcaram a vida de Raquel e há outras tantas histórias antigas e novas como a da empresária Márcia Dubiella, de Florianópolis (SC), que enviou o filho João Jerônimo para a Bélgica, em 2019, e a filha Flora para a Áustria, em 2020. “Um dos fatores determinantes para a escolha do AFS é que a família acolhedora é voluntária. Recebe do coração, sem retorno financeiro. Não é aquela história de quem reservou um quarto e pronto”, explica.  Ela conta que João Jerônimo foi muito bem recebido e Flora também.

Desde 1956 no Brasil, o AFS já enviou e recebeu mais de 14 mil intercambistas em parceria com 500 escolas. São 300 encaminhados por ano no High School, mesmo número que vem ao país. A proposta? Unir através das diferenças para criar um mundo mais pacífico e justo. Nada mais atual.

“Há 75 anos, quando os primeiros alunos do ensino médio embarcaram em um intercâmbio do AFS, um de nossos fundadores disse que o AFS ‘acredita na juventude – em sua capacidade de ver claramente, de ver através da névoa da propaganda, de ver com os olhos do coração.’

Isso ainda é verdade hoje”, reflete Daniel.

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