‘Diálogos pelo Clima’ envolvem indígenas e povos tradicionais para enfrentar mudanças climáticas

Da Redação

Consolidar meios econômicos e financeiros para a participação permanente de indígenas, quilombolas e populações tradicionais no combate ao desmatamento e no enfretamento às mudanças climáticas na Amazônia e no Cerrado. Esta meta reúne diferentes profissionais, que buscam a construção de soluções e novas abordagens, sendo dois deles integrantes do Ministério Público e uma das principais lideranças indígenas e gestoras ambientais do Brasil, todos com experiências neste sentido – já realizadas e em andamento. Eles formam o segundo encontro do ciclo Diálogos pelo Clima, na próxima terça, dia 12 de julho, às 19h. Para assistir e participar é só se inscrever no site www.copaibas-dialogospeloclima.com.br

O evento faz parte do Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos biomas Amazônia e Cerrado –, com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestortécnico e financeiro e a Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI), como financiadora. 

Participam deste encontro a coordenadora do Departamento Gestão Ambiental do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Sineia do Vale; o procurador da República Fernando Merloto Soave, coordenador da Catrapoa (Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas); e a promotora Lilian Braga, da 13ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Patrimônio Cultural e Habitação e Urbanismo de Santarém (PA).

Sob o tema “Populações tradicionais, indígenas e quilombolas: alternativas econômicas, redes e reconhecimento do apoio na preservação”, os participantes trazem experiências concretas e casos de sucesso e dão ponto de partida a para a elaboração de olhares para os diferentes grupos sociais que atuam na Amazônia e no Cerrado. Grupos que se destacam e tem papel fundamental na preservação ambiental.

Os Diálogos Pela Clima reúnem profissionais do sistema de justiça brasileiro e da área ambiental na busca de entendimentos jurídicos e instrumentos econômicos viáveis e permanentes no combate ao desmatamento e no enfrentamento das mudanças climáticas. 

TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÃO

A participação proativa dos grupos indígenas no combate ao desmatamento é posta em prática através de iniciativas como a de uma integrante deste segundo evento dos Diálogos Pelo Clima. À frente do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Sineia do Vale traz, aspectos de um novo plano, ainda inédito, de enfrentamento às mudanças climáticas na terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.

A iniciativa remete à primeira publicação indígena brasileira sobre enfrentamento das mudanças climáticas: “Amazad Pana’Adinham: percepção das comunidades indígenas sobre as mudanças climáticas”, que foi lançada em 2014, tendo Sineia como organizadora.

Em moldes semelhantes, o novo plano para a Raposa/Serra do Sol terá o acréscimo do uso do aplicativo para celular Alerta Clima Indígena (AIC), cuja tecnologia aumenta a precisão da observação e a rapidez no socorro de emergências.

“Nestes anos, com a ajuda de brigadas indígenas formadas nas próprias comunidades – que conhecem bem o terreno –, foi possível combater incêndios prontamente, antes que se tornassem problemas graves”, ressalta a gestora ambiental, atentando para o problema atual das enchentes. “Agora, em 2022, há regiões, como Manoá-Pium, em que as famílias perderam toda a roça, por alagamentos”, acrescenta.

DEMANDA POR EDUCAÇÃO LOCAL

Organizadora do 1º Fórum de Mulheres do Baixo Amazonas, a promotora Lilian Braga destaca a demanda por educação nas comunidades indígenas e quilombolas do Pará. 

“Precisamos ter a compreensão do que é a Amazônia. As distâncias não devem ser vistas como dificuldade e, sim, como a realidade, com a qual lidamos para fazer a educação chegar a todas as comunidades, respeitando seus locais de habitação e suas características”, diz a titular da 13ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Patrimônio Cultural e Habitação e Urbanismo de Santarém (PA). 

Como inciativa que já funciona, a promotora cita a da comunidade quilombola Abuí, na região paraense do Baixo Amazonas. “Lá, já temos escola organizada pelos próprios quilombolas, inclusive com o currículo adaptado à realidade local e o calendário escolar respeitando as datas históricas da população”, ressalta.

ALIMENTAÇÃO PELA SAÚDE

Dentro das escolas, a inclusão de costumes alimentares tradicionais é ponto de outro integrante deste segundo Diálogo. Coordenador da Catrapoa, o procurador Fernando Merloto Soave atua nesta questão e dá destaque à saúde e ao reconhecimento das cadeias de valor da sociobidiversidade associada aos diferentes grupos sociais. 

Uma logística que garantisse o fornecimento e a conservação de hábitos alimentares motivou a criação da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas, uma vez constatada a dificuldade desse processo nas escolas indígenas amazonenses. A dependência, em especial, das crianças indígenas a alimentação industrializada e fora de seus costumes, na merenda escolar, aumentava o risco de incidência de problemas crônicos como diabetes e pressão alta, entre outros.

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