“A assistência endocrinológica à pessoa trans deve ser singularizada, integrada”

Da Redação

A população trans no mundo é estimada entre 0,1 % a 2,7 %, chegando a 1,3% a 2,7% na faixa etária escolar. Indicada conforme a Resolução CFM nº 2.265, de 20 setembro 2019, a terapia hormonal para afirmação de gênero permite que o corpo da pessoa trans se alinhe ao seu gênero de identificação. “A assistência endocrinológica à pessoa trans deve ser singularizada, integrada, e em equipe multidisciplinar, disponível em todo o território nacional”, declara Magnus Dias da Silva, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).

A Endocrinologia é a especialidade médica capacitada para conduzir este seguimento com segurança e eficácia. Para a mulher trans, a terapia é realizada com hormônios feminizantes – estrógenos – que, em doses adequadas, bloqueiam a produção/ação endógena de testosterona. Quando há dificuldade no bloqueio, podem ser indicados antiandrógenos ou até a orquiectomia (remoção cirúrgica dos testículos).

Os estrógenos podem ser orais, transdérmicos ou injetáveis, já os antiandrógenos podem ser orais ou injetáveis. As mudanças corporais iniciam-se por volta de dois a três meses de tratamento, e as modificações corporais esperadas podem ocorrer dentro de dois anos.

No homem trans, a terapiabaseia-se no uso exclusivo de testosterona com metas e doses fisiológicas variáveis, podendo ser por via transdérmica ou intramuscular. As mudanças corporais iniciam-se entre três e seis meses, e se completa por volta de dois a cinco anos de terapia hormonal, a partir do qual se inicia a fase de manutenção das mudanças corporais.

Pessoas trans sem suporte multidisciplinar podem apresentar até quatro vezes mais sintomas depressivos, além de maiores taxas de tentativa de suicídio (41%) comparadas com a população geral (1% a 6%). Há relatos de que 35% das crianças e adolescentes com questões de variabilidade de gênero sofrem violência física, e 12% sofrem violência sexual.

O ato de rejeição ou preconceito contra pessoas trans é chamado transfobia e está dentro do espectro da LGBTQIAfobia. Nos últimos 10 anos, foram relatados cerca de 100 a 180 assassinatos de pessoas trans por ano no Brasil. Só em 2020, em todo o mundo registrou-se 350 mortes, sendo 175 delas ocorridas no Brasil. “Por isso, dar visibilidade e oferecer assistência a essa população adequadamente é uma atitude humanitária tão importante e urgente”, finaliza Dr. Magnus.

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