Homeschooling: especialistas explicam os riscos dessa opção

Da Redação

Cerca de 7,5 mil famílias brasileiras são praticantes do homeschooling. A estimativa é da Associação Nacional De Educação Domiciliar (ANED) e a prática, que teve início no Brasil nos anos 1990, voltou a ser discutida em 2022, com as mudanças no projeto de lei aprovada na Câmara dos Deputados, e que agora está em apreciação no Senado Federal.

De acordo com o Censo Escolar de 2021, as escolas públicas têm em torno de 36,4 milhões de matrículas na educação básica. Esse número mostra a enorme discrepância entre o atendimento do homeschooling e o impacto da escola tradicional na realidade do país.

“O ensino domiciliar é algo a ser discutido, mas priorizar a Recomposição da Aprendizagem trará um impacto muito maior para o futuro desses estudantes, principalmente após as consequências de quase dois anos de pandemia”, diz Ana Ligia Scachetti, pedagoga e Diretora de Educação da Nova Escola, referência no desenvolvimento de conteúdo para professores desde 1986.

O fechamento das escolas demandou o uso repentino de tecnologias para as quais nem professores, nem estudantes, estavam preparados e causou uma série de dificuldades para o desenvolvimento de aprendizagens. Este ano, com a retomada das aulas presenciais, surgiram desafios extras para os professores.

Grande parte desse desafio está na identificação das defasagens e no desenvolvimento de estratégias para uma efetiva Recomposição de Aprendizagem e avanço dos alunos, garantindo informações e orientações para a elaboração de ações de diagnóstico, de replanejamento das atividades, apoio pedagógico e de acompanhamento constante.

“O trabalho de Recomposição de Aprendizagem é peça chave para destravar futuros que podem ser comprometidos pela pandemia. São diferentes desafios de acordo com cada etapa de ensino, e, para que esta recuperação aconteça, é necessário traçar diversas rotas e estratégias, dando o suporte necessário para que os educadores consigam impactar o principal interessado: o aluno”, explica Ana Ligia.

A especialista em metodologias ativas para uma educação inovadora entende que será bem difícil o processo de construção do conhecimento sem uma troca presencial. “É importante ter um ambiente de diversidade, saber conviver com o diferente e encontrar alternativas em conjunto”, diz Ana Ligia. Na opinião dela, repensar todo o planejamento e estratégias para uma efetiva Recomposição de Aprendizagem e avanço dos alunos é uma demanda difícil para as famílias assumirem, no caso do homeschooling.

Grande parte dos educadores concordam que a educação domiciliar seria um retrocesso em termos de políticas educacionais, já que as instituições de ensino garantem a aprendizagem e inserem as crianças na cultura e sociedade por meio de profissionais formados e capacitados.

“No cenário em que os educadores estão inseridos hoje, de um déficit educacional elevado – muito ligado aos anos de pandemia que vivemos – e dificuldades em questões ligadas ao comportamento dos alunos no retorno às aulas, recomposição de aprendizagem, habilidades socioemocionais e diversidade e inclusão devem ser os temas centrais da educação no momento”, sintetiza Danielle Brandão, Coordenadora Pedagógica da Nova Escola. Difícil homeschooling acompanhar esta tendência.

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