Maquiadora que fez piada com autistas pede perdão

Henrique Gessil

A maquiadora e influenciadora digital de Anápolis Larissa Rosa publicou uma nota e uma série de vídeos nos stories do Instagram para se desculpar da piada que fez sobre as vagas de estacionamento reservadas a autistas em um shopping de Goiânia.

Em um vídeo, segundo ela, postado exclusivamente para 18 amigos em uma rede social, ela ironizou a reserva de vagas para pessoas que têm necessidades específicas. “A vaga é tão colorida que achei que era pra veado”, disse, ao lado da mãe, que também participou da “brincadeira”. Elas ainda disseram que reivindicariam vagas reservadas a “gordos estressados”.

Apesar de ser uma publicação restrita, a postagem viralizou e, com a repercussão, as duas publicaram vídeos se desculpando. Vânia Rosa, mãe de Larissa, aparece chorando e admitindo o erro. “Acredito também que devemos ter maturidade e humildade para enxergar e reconhecer nossos erros”, declarou. Larissa, além dos vídeos em que pede perdão por ter “falado sem pensar”, postou uma nota de desculpas (leia abaixo).

O importante, neste caso, é o reconhecimento do erro. Mas, mais do que isso, o comprometimento, como Larissa parece ter feito, de estudar o tema para conhecer melhor o autismo. Seria melhor ainda usar sua influência digital – ela tem 35 mil seguidores no Instagram – para ajudar a combater o preconceito e a desinformação.

Todos têm o direito de errar, mas, também, o dever de corrigir o equívoco. Que Larissa entenda isso e, efetivamente, ajude na causa.

Vale, ainda, ressaltar o momento de absoluta falta de empatia vivido pelo país, potencializado pelo bolsonarismo. Em um governo baseado no ódio ao diferente, uma manifestação como esta, apesar de realmente parecer não ser o caso, pode despertar os mais sujos e cruéis sentimentos em quem se identifica com a maldade.

Leia a nota de desculpas:

Decidi vir, através dessa nota, pedir as mais sinceras desculpas pelos acontecimentos que estão repercutindo nas últimas horas. Me desesperei inicialmente com a repercussão da situação e com um bombardeio de mensagens revoltadas (com razão).

Agora, entendo que a forma que me senti com esse turbilhão ainda não chega perto do que muitas mães e outros grupos sentiram ao ouvir as palavras infelizes que pronunciei.

Refleti sobre toda a situação e quero me desculpar também por dizer se que tratou de uma brincadeira, feita exclusivamente em um grupo de melhores amigos com 18 pessoas. Isso também não justifica.

Minhas palavras não podem ser vistas como brincadeira e não deveriam ter sido ditas nem para mim mesma, imagine para um grupo de 18 pessoas. Acreditem, elas não me representam em nada.

Agradeço também às pessoas que, apesar de reprovarem a conduta e não terem nenhuma obrigação de me ensinarem nada, ainda tiraram um minuto do tempo delas para me enviar informações e materiais que me mostraram realidades diferentes das que eu já conheci.

Espero que essa infeliz situação um dia possa ser perdoada por quem se sentiu ofendido. Garanto também que, da minha parte, nunca mais vai se repetir.

Assim como anunciado ontem, permaneço à disposição no direct para me desculpar individualmente com quem estiver decepcionado e revoltado com minha atitude.

– Lari Rosa”

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