Lambança nas finanças e desgaste com vereadores podem custar impeachment de Rogério Cruz

Da Redação

A relação do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), com sua base de apoio na Câmara Municipal já não vinha boa desde a aprovação do atual Código Tributário, no ano passado, que provocou aumentos exorbitantes do IPTU, tema que ainda está em discussão na Justiça. Capitaneado pelo então secretário de Governo Arthur Bernardes – hoje no comando do Escritório de Prioridades Estratégicas – e pelo então secretário de Finanças Geraldo Lourenço, ambos da chamada turma de Brasília, que comanda, efetivamente, o destino de Goiânia, a reforma do Código colocou em pé de guerra vereadores aliados e o Executivo, devido à revolta da sociedade. Hoje rompidos, Bernardes permanece na Prefeitura, mas Lourenço retornou ao Distrito Federal.

Para o lugar de Geraldo Lourenço, o presidente do Republicanos do DF, Wanderley Tavares, que é quem de fato, comanda a Prefeitura de Goiânia, indicou Vinícius Henrique Pires. Na semana passada, não se sabe se por inexperiência ou algum outro motivo, Pires causou constrangimentos ao prefeito ao cobrar, via ofício, do presidente da Câmara, Romário Policarpo (Patriota), a devolução de R$ 30,9 milhões de sobras do duodécimo, recurso repassado mensalmente ao Legislativo e que, por lei, deve ser realmente devolvido caso não seja utilizado.

O fato é que a Câmara sempre faz essa devolução, mas atendendo a uma agenda mais política do que econômica. A cobrança pública irritou o comando do Legislativo. E a resposta veio ontem, com dois ofícios enviados pelo presidente Romário Policarpo a Pires, conforme noticia a coluna Giro, de O Popular, nesta sexta-feira.

Segundo consta, Policarpo cobrou da Secretaria de Finanças (Sefin) informações sobre os aportes em fundos municipais, recursos que são carimbados, ou seja, só podem ser utilizados para fins específicos. E também quer que o Executivo envie imediatamente ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) o Plano Plurianual (PPA) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 – estranhamente, a Prefeitura ainda não o fez.

As informações que correm nos bastidores são de que, sem arrecadação suficiente – parte porque muita gente deixou de pagar o IPTU ou está pagando em juízo -, o município estaria utilizando recursos desses fundos para pagar despesas correntes. A intenção é manter a aparente normalidade na capacidade de o município cumprir seus compromissos, ao menos até as eleições de outubro, quando a primeira dama Telma Cruz (Republicanos) tentará uma vaga na Assembleia Legislativa.

O problema é que, se de fato os desvios estiverem ocorrendo, podem caracterizar as chamadas pedaladas fiscais. Foi o motivo legal usado para derrubar Dilma Roussef (PT) da presidência em 2016, apesar de hoje estar claro que o pano de fundo era outro.

Sem vice, o sucessor de Rogério Cruz neste caso seria justamente o presidente da Câmara. Policarpo jura de pés juntos que não trabalha com essa hipótese. Michel Temer (MDB) dizia o mesmo e todos sabemos o que houve.

De qualquer forma, um possível impeachment de Cruz ocorreria apenas no ano que vem, já que, se ele perder o cargo ainda em 2022, serão realizadas novas eleições, de acordo com a legislação eleitoral.

Como diz um sábio jornalista, pode ser tudo, pode ser nada.

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