Câmara de Goiânia discute capacitação e empregabilidade para pessoas trans

A Câmara de Goiânia promoveu, nesta quinta-feira (26), Audiência Pública para debater a necessidade de capacitação profissional e o mercado de trabalho para pessoas trans na capital. Proposta pelo vereador Mauro Rubem (PT), a discussão se deu a partir do Projeto Oportunizar: Empregabilidade Trans.

Uma das convidadas foi a educadora social do projeto e tesoureira da Rede Trans Brasil, Cristiany Beatriz, que destacou a importância da conscientização – pela população e por empresários – de que pessoas trans desejam trabalhar e precisam de oportunidades como todas as outras, além de capacitação.

O superintendente LGBTQIA+ da Prefeitura de Goiânia, John Maia, reforçou a fala de Cristiany. Segundo ele, pessoas trans ainda são invisíveis para o mercado de trabalho. “Existe preconceito para contratar e até para capacitar. É difícil encontrar cursos que fujam da dupla costura e maquiagem. Podemos e queremos trabalhar em todos os lugares. Queremos ser vistos”, afirmou.

Bárbara Bombom contou que teve dificuldades para trabalhar como faxineira. “Precisei convencer as pessoas de que eu conseguia limpar um banheiro. Depois aprendi outra profissão, de trancista, para conseguir me manter”. A advogada Amanda Souto Baliza reiterou a importância da capacitação de pessoas trans, para mudar essa realidade, ainda que em longo prazo. “Empregabilidade é cidadania. O STF já decidiu várias vezes pela não discriminação, mas o que vemos é o contrário”, declarou.

A analista de educação profissional Fernanda Marques, do Senai, informou que serão oferecidas turmas em cursos de diversas áreas para pessoas trans. Serão no formato de 40 a 200 horas de aulas, sem nenhum custo e com fornecimento de lanche e transporte. Ainda de acordo com ela, o Senai manterá Educação de Jovens e Adultos (EJA) profissionalizante, que já era disponibilizada pelo Sistema S.

Com base na iniciativa do Senai, Mauro Rubem propôs que sejam organizadas na Câmara rodadas de busca de oportunidades, com presença de empresas. “Sabemos que o mercado de trabalho está num momento difícil, mas podemos manter contato com empresários, para quando surgirem vagas”, sugeriu. Tramitam na Casa dois projetos, de autoria do parlamentar, no sentido de garantir espaço para pessoas trans nos setores público e privado. As matérias aguardam votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Também participaram da audiência pública a superintendente de Igualdade Racial da Prefeitura de Goiânia, Ângela Café; e a presidente do Conselho Estadual da Mulher (Conem), Ana Rita Marcelo Castro.

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