Empresas do Centro-Oeste esperam geração de emprego, reforma tributária e incentivos à transformação digital como principais prioridades do governo em 2022, aponta pesquisa

A edição deste ano da pesquisa “Agenda”, da Deloitte, organização de serviços profissionais, realizada com 491 empresas – 5% da região Centro-Oeste – apresenta as prioridades e expectativas dos líderes empresariais para o ambiente de negócios no Brasil, em relação aos investimentos, às iniciativas e ao cenário econômico, social e político para 2022. As respostas são consequências da transformação digital, fundamentais para a sustentabilidade dos negócios, que se intensificou nos últimos 22 meses, devido à pandemia de covid-19 que deixou o mundo num ambiente imprevisível de mudanças que, automaticamente, aumentou incertezas e provocou a descoberta de caminhos antes não calculados nos processos dos mais diversos setores das empresas.

A pesquisa retrata que mais da metade (52%) das organizações participantes da região Centro-Oeste acreditam na estabilidade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022; 26% apostam em uma variação de 0,5% para mais de 2% e 22% na queda. Essa visão revela que o empresariado da região se mantém, de certa forma, numa posição positiva quanto à expectativa da economia no ano.

“Existe uma grande necessidade em mão de obra qualificada no Centro-Oeste e prova disso é o destaque da pesquisa quanto ao investimento em treinamento e formação de profissionais e a expectativa, por parte dos empresários locais, da geração de emprego como prioridade do governo em 2022. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul hoje apresentam queda no índice de desemprego – segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – e melhorar, cada vez mais, esse cenário é a realidade das empresas que investem e geram recursos nesses locais”, destaca Luiz Oseliero, líder da região Centro-Oeste da Deloitte.

Qualificação de profissionais e lançamento de produtos ou serviços são focos prioritários em 2022

Como um dos investimentos prioritários para as empresas do Centro-Oeste, destaca-se o treinamento e formação de profissionais (77%), ocupando a segunda posição em ordem de prioridade. O aumento de contratações foi apontado por 31% dos respondentes, 50% afirmaram que vão manter o quadro de funcionários com substituições, 6% sem realizar substituições e 13% pretendem diminuir o quadro. A menor expectativa de aumento de funcionários no Centro-Oeste, no comparativo com as outras regiões, está condizente com a perspectiva negativa de crescimento de receita.

Entre os que pretendem reduzir ou substituir, independentemente do cenário, as razões mais indicadas foram a substituição por profissionais mais qualificados (60%), a redução de custos e a robotização/automação de processos (ambas indicadas por 20% dos respondentes); mesmo com menor expectativa de crescimento de receita, a diminuição da demanda, não foi apontada pelos empresários e isso indica que não é um motivo para diminuição/substituição dos profissionais na região Centro-Oeste.

A edição deste ano da “Agenda” ainda revela que as empresas do Centro-Oeste também seguem o foco em tecnologias digitais e infraestrutura como prioridade de investimentos em 2022; 82% investirão no lançamento de novos produtos ou serviços, 77% na ampliação de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e 59% na aquisição de máquinas/equipamentos.

Empresas mantêm investimentos em tecnologia e P&D

Os investimentos em qualificação tecnológica se destacam e são prioridade para 8 em cada 10 respondentes; a maioria das empresas da região (73%) vai direcionar esses treinamentos a diversas áreas da empresa. Além disso, os investimentos na área serão direcionados a aplicativos, sistemas e ferramentas de gestão, infraestrutura e gestão de dados — todos para 93% dos respondentes –, customer marketing (80%), atendimento ao consumidor e canais de venda online (ambos indicados por 73%).

Outros investimentos que chamam a atenção são os relacionados às tecnologias emergentes, ligadas ao agronegócio, que serão direcionados à digitalização fabril (60%), realidade virtual aumentada e drones (47%) e Robôs Móveis Autônomos (AMR), apontado por 40% das empresas.

Na área de P&D, mais de dois terços (69%) dos empresários realizarão investimentos ao longo de 2022; 43% pretendem focar em pesquisa aplicada, 29% no desenvolvimento experimental, 14% em pesquisa básica dirigida e 7% em tecnologia industrial básica. As ações de inovação realizadas colaborativamente, segundo os respondentes, serão: treinamento de equipes, troca de conhecimento e experiências e realização de eventos — apontadas por 54% dos empresários –, interação com clientes (46%), apoio para adoção de novas tecnologias, desenvolvimento de novos produtos/serviços e realização de pesquisas — indicadas por 39% –, simplificação de processos burocráticos (23%) e registro de patentes (15%).

Reforma Tributária, Educação e Inflação são principais prioridades para o governo

A pesquisa identificou, de acordo com respostas dos empresários da região, prioridades para o governo em 2022. No que se refere ao estímulo à atividade econômica, foram apontadas geração de empregos (92%), inflação abaixo dos 5% (69%), infraestrutura e logística (62%) e revisão da política de juros (31%). No campo do empreendedorismo, o incentivo à transformação digital (85%), a ampliação do apoio às micro e pequenas empresas (69%), a ampliação da oferta de crédito às empresas (46%) e a melhora e ampliação das Parcerias Público-Privadas (PPPs), com 39%. Sobre impacto social, o esperado é a prioridade na educação (54%) — também prioritário para as empresas avaliadas nas outras regiões –, a ampliação de acesso à internet em regiões com baixa densidade demográfica (54%), a saúde (46%) e a ciência e tecnologia (46%). Quanto à gestão pública, espera-se o combate à corrupção (69%), a desburocratização operacional (62%), a reforma administrativa e o planejamento estratégico de médio e longo prazo (ambos indicados por 46%). E por fim, referente às leis e regulamentações, as prioridades aguardadas são a reforma tributária (92%) — apontada como principal em todas as demais regiões também –, a reforma da comunicação (69%), a revisão de regulamentações para ataques cibernéticos (46%) e a implementação de ações relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para 46%.

Quanto à perspectiva dos respondentes da região Centro-Oeste sobre a mais recente proposta de reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, a maioria concorda parcialmente (46%), enquanto 23% concordam totalmente, 31% desconhecem e nenhum respondente discorda.

Expectativas, preocupações, ações estratégicas e desafios em um ano de mudanças

A região Centro-Oeste é a que apresenta a menor expectativa de crescimento de vendas, de acordo com os respondentes da pesquisa; a média da taxa de crescimento de vendas na região, esperada pelos empresários, é de 6,2%. Cerca de 10% das empresas apontam que esperam um crescimento de vendas acima de 20% em 2022 e 19% acreditam em uma queda; no comparativo com outras regiões que participaram do levantamento, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, juntos, têm a maior expectativa de queda. Por outro lado — e até mesmo como uma ação de alavancada –, a ampliação de pontos de vendas foi apontada por 41% dos entrevistados como a segunda principal ação estratégica para o ano.

As demais ações estratégicas, de acordo com as empresas, serão parcerias com startups (47%), ampliação dos parques fabris (35%) e aquisições de novas unidades de produção (29%). Os desafios, porém, para tirar os projetos de capital do papel, são muitos: em primeiro lugar, a falta de mão de obra qualificada e a volatilidade do mercado, seguidos, respectivamente, da imprevisibilidade de receitas/vendas, da definição de orçamento, dos custo de captação para financiamento, da insegurança legal/jurídica, da burocracia para captação de recursos, da imprevisibilidade dos resultados e do atendimento à ESG.

Diante do que foi vivenciado nos últimos anos com as variações das últimas eleições e com os impactos da pandemia, os empresários da região apontam o processo eleitoral (71%) como principal preocupação para o ambiente de negócios, em 2022, seguido pelas instabilidades políticas (67%), os riscos fiscais (54%) e uma nova onda de Covid-19 (50%). A inflação acima de 5% (46%), a imagem do Brasil no mercado internacional e o não cumprimento dos compromissos ambientais (ambos indicados por 38%) e a crise hídrica/energética (46%) também foram apontados em respostas múltiplas pelas empresas.

“Mesmo com incertezas no ambiente de negócios, as organizações continuarão investindo em transformação digital, capacitação profissional e melhoria contínua de suas operações. Somente assim elas vão se manter competitivas em um contexto de mudanças tão relevantes como o atual. A ´Agenda 2022´ revela que há uma consciência clara das empresas sobre o dever de casa a ser feito. Em cenários mais voláteis, a resposta das organizações sempre requer planejamento e pragmatismo”, destaca João Gumiero, sócio-líder de Market Development da Deloitte.

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