4 anos sem Marielle: Anistia Internacional Brasil instala “processo judicial” no Rio de Janeiro

Após quatro anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes neste 14 de março, as famílias das vítimas seguem sem saber quem são os mandantes e a motivação do crime. Hoje, a Anistia Internacional Brasil fez uma intervenção urbana com uma instalação gigante com mais de 2 metros de altura, em frente à Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio de Janeiro. A instalação simula o processo judicial inconcluso até agora, destacando a falta de acesso das famílias das vítimas e seus advogados às informações que deveriam estar sendo compartilhadas com as famílias das vítimas.

“A Anistia Internacional Brasil destaca que a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos para o caso Nova Brasília assegura o direito de acesso aos autos de investigação e também à participação e capacidade de atuação em todas as etapas da investigação e do processo criminal. Portanto, é nosso dever demandar das autoridades que as famílias de Marielle e Anderson tenham seus direitos respeitados. E, hoje, viemos a público exigi-lo”, explica Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.

A proposta da organização é que os pedestres possam folhear o “processo” e ler mensagens fundamentais sobre a luta das famílias e das organizações da sociedade civil do Brasil e do mundo por justiça. Na primeira página, é contada a história de Seu Antônio e Dona Marinete, pais de Marielle, que venceram a batalha de criar filhas numa favela no Brasil. Na sequência, é mostrado como uma dessas filhas se tornou uma das vereadoras mais votadas no Rio de Janeiro, e terminou cruelmente assassinada junto com o motorista, Anderson Gomes.

Na terceira página, mostra-se a quantidade de autoridades públicas que passaram por essa investigação ou se comprometeram a garantir justiça, que tem tardado 4 anos. Cinco delegados já passaram pela investigação, e outros tantos representantes do poder público. Muitos compromissos foram anunciados, mas, até agora, não se sabe o mais importante: quem mandou matar Marielle e Anderson, e por quê? Na última página da instalação, os passantes são convidados a fortalecer a corrente de solidariedade, tirando uma foto e compartilhando com a hashtag #SigiloPraQuem.

“Os parâmetros internacionais de direitos humanos preveem o direito à verdade e à participação efetiva das vítimas e seus familiares em todas as etapas dos processos de investigação – especialmente em situações que constituem graves violações de direitos humanos, como é o caso dos assassinatos de defensoras e defensores de direitos humanos. É fundamental combater o vazamento de informações no curso das investigações, porém as famílias e seus representantes têm o direito de participar em todas as etapas da investigação. Respeitar o sigilo não significa faltar com a transparência. A falta de justiça pela morte de um defensor ou uma defensora gera um efeito amedrontador para todas as outras pessoas que defendem a dignidade e a vida. E há consequências imediatas e de longo prazo para toda a sociedade, como foi o assassinato de Marielle e Anderson”, afirma Jurema Werneck. (Foto: Maurício Bastos)

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