Mulheres do Centro-Oeste são as mais insatisfeitas com suas condições

Uma pesquisa feita exclusivamente com mulheres pelo Observatório FEBRABAN mostra que a brasileira está insatisfeita ou muito insatisfeita com a forma como as mulheres são tratadas atualmente na sociedade brasileira – e na região Centro-Oeste, essa insatisfação é ainda maior.

Em sua décima edição, o Observatório FEBRABAN, pesquisa FEBRABAN-IPESPE, mostra que oito em cada dez entrevistadas se dizem insatisfeitas ou muito insatisfeitas com essa condição. No Centro-Oeste, esse percentual atinge 85%. A violência e o assédio, seguidos do feminicídio e da desigualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres são os principais pontos negativos destacados na pesquisa.

Um dado que chama a atenção é que as mulheres do Centro-Oeste são as que mais apontam a diferença de salário e as oportunidades no mercado de trabalho como uma das maiores discrepâncias em relação ao sexo feminino (43% na primeira resposta, contra 35% da média nacional); outras 19% citam a responsabilidade com a casa, a família e os filhos como um dos aspectos que mais contribuem para a desigualdade entre homens e mulheres.

Para 70% das entrevistadas, as mulheres não têm direitos iguais ao dos homens, muito menos remuneração equivalente (82%). Quanto às oportunidades de educação, as mulheres sentem maior conforto: apenas 31% disseram que elas não são iguais às dos homens. Com relação à liberdade sexual, 69% acham que ela não é igual à do sexo masculino.

Questionadas sobre as suas principais preocupações, as entrevistadas citam em destaque (como primeira resposta) a violência e o assédio contra a mulher (36%). Entre os principais motivos para os crimes violentos, elas citam o machismo (27%) e o ciúme (24%).

A grande maioria (64%) viveu ou tomou conhecimento de mulheres que foram vítimas de situações de violência nos últimos 12 meses.

A grande maioria das entrevistadas (74%) declara saber que o Brasil ocupa a quinta posição em mortes violentas de mulheres.

As situações mais comuns de preconceito ou discriminação que elas viveram ou presenciaram aconteceram no trabalho (46%), escola ou universidade (também 46%), festas ou locais de entretenimento (59%), na rua (64%) ou no transporte público (60%).

Ao serem indagadas onde mais ocorrem situações de violência contra a mulher, 79% afirmaram como primeira resposta que elas acontecem em casa.

Entre aquelas que já sofreram ou tomaram conhecimento de violência, 71% disseram que o agressor foi uma pessoa conhecida. Entre essas, 81% relataram que o autor foi o cônjuge, companheiro ou namorado.

O levantamento Mulheres Preconceito e Violência foi realizado entre os dias 19 de fevereiro a 2 de março, com 3 mil mulheres nas cinco regiões do país. Ele traça um amplo quadro desse problema no país e se alinha aos esforços de investigar a situação das mulheres brasileiras e de combater o preconceito e a violência. É superlativa a impressão, no levantamento, de que os casos de violência contra a mulher aumentaram durante a pandemia da covid-19. 

“Indo direto ao ponto, a pesquisa nos faz um sério alerta de que, mesmo com os avanços dos últimos anos, as mulheres no Brasil ainda são, com frequência, vítimas de violência, assédio, preconceito e discriminação e de que precisamos de políticas e ações afirmativas que enfrentem esse grave problema social”, diz Isaac Sidney, presidente da FEBRABAN. “Não podemos pensar em desenvolvimento e crescimento social e até econômico sem combater esse tipo de mazela.”

Caracterizando a violência contra a mulher no Brasil, quase oito em cada dez respondentes indicam a casa como o lugar onde as situações de violência, ameaça e assédio ocorrem com mais frequência e sete em cada dez citam pessoas próximas ou conhecidas – atuais ou antigos cônjuges, companheiros e namorados – como principais agressores. 

“Se esse quadro, por si só, já evidencia a situação de vulnerabilidade a que as mulheres estão expostas, ele se agrava quando metade declara que as vítimas não procuram ajuda ou não denunciam. E isso acontece em função do medo, principalmente de represália ou perseguição, e também de serem desacreditadas”, aponta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

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