Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética acredita que poderá haver nova epidemia: a de doenças em estágio avançado

Há quase dois anos o mundo vem enfrentando a pandemia de Covid-19. Com o surgimento da variante Ômicron, a tendência é que seja preciso continuar por mais algum tempo com as adaptações à vida cotidiana para combater o vírus. Ainda assim, algumas ações devem ser mantidas e priorizadas em meio à pandemia. Uma delas é a visita periódica ao médico. 

Segundo levantamento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a pandemia do novo coronavírus foi a responsável pela redução de mais de 900 milhões de atendimentos e ações no SUS (Sistema Único de Saúde). Os dados mostram que no período pré-pandemia, foram 4.058 bilhões de atendimentos. Já durante a pandemia, o número caiu para 3.114 bilhões. Uma redução de 23,25%. 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal, essa queda no número de atendimentos pode acarretar em uma nova epidemia, a de doenças como o câncer, em estágio avançado: “o temor é de que haja um aumento significativo de casos não tratados, o que resultará num crescimento da mortalidade por câncer no Brasil, por exemplo. Isso porque há inúmeros pacientes que deixaram de buscar atendimentos ou até os buscaram, mas não conseguiram marcar exames, biópsias, e, com isso, terão reduzidas as suas chances de cura. Aqueles que fizeram sua parte, mas ainda assim foram prejudicados, devem lutar por seus direitos”. 

Nestes casos, segundo Raul Canal, os pacientes podem buscar a ajuda da Defensoria Pública. Já para as pessoas que têm planos de saúde, a orientação é fazer uso do Código de Defesa do Consumidor. Para ele, a falta de informação é um dos principais motivos para as pessoas desistirem de buscar o cumprimento de normas constitucionais, muitas vezes ignoradas por entes particulares. “O conhecimento é um aliado do cidadão. Temos que motivar as pessoas a conhecerem seus direitos e a se apropriarem deles”, afirma o especialista em Direito Médico. 

Independentemente se a pessoa faz uso do serviço de saúde no setor público, privado ou suplementar, Canal reforça a necessidade de não se privar da busca por atendimento médico. “Essa atitude de medo ou passividade em ir ao médico é duplamente prejudicial. Isso porque pode levar a uma situação de risco iminente para a saúde da pessoa, bem como a uma avalanche de procura por serviços quando a pandemia acabar, dificultando ou até impossibilitando o atendimento de todos. Poderá haver uma superlotação de consultórios e postos de saúde, sendo necessários mutirões para normalizar a situação”, finaliza Canal.

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