Tratamento com cannabis permite inclusão social empessoas com o Transtorno do Espectro Autista

No dia 10 de dezembro é comemorado o Dia da Inclusão Social. A data traz a reflexão sobre os tratamentos disponíveis para as diversas patologias que influenciam na participação ativa de um indivíduo na sociedade, incluindo, por exemplo, os tratamentos inovadores feitos à base da cannabis medicinal.

O Transtorno do Espectro Autista (T

EA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por déficit persistente e significativo na comunicação e interação social; padrão restrito e repetitivo de atividades e comportamento e alterações da percepção sensorial, que costuma se desenvolver na infância. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo estão no espectro do autismo. No Brasil, estimam-se 2 milhões de casos de TEA.

Com a resolução RDC 17/2015, a Anvisa passou a considerar legal a importação de produtos à base da cannabis em tratamentos médicos. Com isso, foram definidos os critérios e procedimentos para a importação, em caráter de excepcionalidade e para tratamento de saúde, de produtos à base de canabidiol em associação com outros canabinóides, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado.

Esse movimento global vai ao encontro não só de reivindicações da sociedade, mas também de pesquisas e estudos clínicos que visam identificar os benefícios da cannabis para o tratamento de diversas patologias, como Parkinson, Alzheimer, TEA, Epilepsias Refratárias, Dor Crônica, Distúrbios de Ansiedade e Câncer, entre outros.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Ben Gurion e do Soroka Medical Center, ambos localizados em Israel, publicado na renomada revista científica Nature, em janeiro de 2019, acompanhou 188 pacientes com TEA menores de 18 anos tratados com canabinóides entre 2015 e 2017.

Segundo esse trabalho, após seis meses de tratamento regular, 83% dos pacientes relataram avanços significativos ou moderados em aspectos comportamentais, como, por exemplo, melhoria do humor e qualidade do sono, redução nos níveis de ansiedade, aumento da concentração, além de maior facilidade para realizar tarefas cotidianas, como tomar banho e se vestir sozinhos. Também houve impacto direto na rotina dos pacientes: antes, apenas um terço (31,3%) afirmava ter uma boa qualidade de vida, índice que praticamente dobrou (para 66,8%) depois de seis meses de tratamento.

Outro estudo publicado pela mesma revista testou o uso oral de canabidiol como auxiliar no tratamento de sintomas do TEA e comorbidades. Ao todo, 53 pessoas entre 4 e 22 anos, receberam canabidiol por cerca de 66 dias. Os ataques de automutilação e raiva melhoraram em 67,6% e pioraram em 8,8%. Os sintomas de hiperatividade foram aprimorados em 68,4%, não mudaram em 28,9% e pioraram em 2,6%. Os sintomas de problemas de sono melhoraram em 71,4% e pioraram em 4,7%. A ansiedade melhorou em 47,1% e piorou em 23,5%.

“Crianças com essa patologia se tornam extremamente dependentes e a grande maioria das famílias conviverá com sintomas comportamentais de seus filhos por toda a vida. Desse modo, é natural pensarmos que isso terá um impacto sobre a dinâmica e as rotinas familiares, desde aspectos financeiros até a qualidade de vida emocional e social. É preciso treinar a independência dessa criança para que ela possa se incluir na sociedade com um plano terapêutico multidisciplinar, pois a dinâmica da família muitas vezes é ditada pelas comorbidades. Com o tratamento, é possível ter uma melhora de qualidade de vida e ambiente familiar, um controle maior de crises e, principalmente, nos casos graves, a criança começa a ter chance de voltar para a terapia e a escola e ainda participar ativamente da sociedade”, explica o Dr. Flávio Geraldes Alves, mestre em Ciência da Saúde pela FMABC e neuropediatra no CEC Medical, clínica médica do Centro de Excelência Canabinóide.

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