Livro disseca privatizações e uso político da Celg e Cachoeira Dourada

Romper o caráter regional para se tornar obra de interesse nacional. Essa é a proposta do livro  “O capitalismo mundial e a captura do setor elétrico na periferia” (editora Appris).  Em meio à crise energética no país (e no mundo), com temores que rondam novos apagões, o engenheiro Salatiel Pedrosa, com mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Universidade Estadual de Campinas, vai fundo nos processos  de privatizações da Companhia Energética de Goiás (Celg) e  da Usina Hidrelétrica de Cachoeira Dourada. E acusa a má gestão em sucessivos governos pelo que seria o ensaio da hecatombe maior ao exibir o lado obscuro dos investimentos hidrelétricos no país.

O potencial da obra abre portas para investigações em outras empresas públicas. E apresenta o processo histórico completo da empresa Celg (atualmente Enel Distribuição de Goiás), que se inicia com a sua fundação em 1956, então maior estatal goiana e entre as oito mais bem-sucedidas do setor elétrico brasileiro, até o seu leilão no fim de 2016.

 O trabalho possibilita enxergar ações predatórias ocorridas nos subterrâneos do poder  de empresas do setor elétrico. “Acredito que o livro seja pioneiro quando se trata de uso político do setor elétrico. Permite detectar  sobre investimentos, seus cálculos,  e os danos que trazem ao equilíbrio econômico-financeiro das empresas”,  diz Salatiel, que  atuou por 35 anos como engenheiro da Celg e também é formado em administração de empresas.

A obra se destaca pela abordagem prática, mostrando o estudo de caso com uso de programas computacionais, levantamento de dados e documentos da empresa. “Tive acesso a dados que nunca seriam expostos publicamente. Entre eles, documentos técnicos que foram produzidos pelo Tribunal de Contas, Ministério Público, por consultores e empresas especializadas. Há inúmeros balanços, fluxos econômicos financeiros e relatórios da empresa”, conta Salatiel. “A falência das estatais impossibilitou  investir no sistema por terem perdido a capacidade de expansão da demanda”, destaca o autor.

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