Deputado revela novo negócio de Guedes, com lucro de R$ 400 mil/mês

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) revelou, durante audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que ele mantém um fundo de investimento no Brasil, com lucro mensal de quase R$400 mil. Na Declaração Confidencial de Informações (DCI), documento exigido para assumir o cargo, Paulo Guedes afirma, na página 8, que é o proprietário exclusivo, o único cotista, do Descartes Fundo de Investimento Multimercado. Segundo informações da Comissão de Valores Mobiliários, autarquia ligada ao Ministério da Economia, o Itaú assumiu a gestão desse fundo no dia 31 de janeiro de 2019, no valor de R$ 15,7 milhões. Relatório de 30 de junho de 2020 aponta um salto para R$ 22,6 milhões, valorização de R$ 6,9 milhões em apenas um ano e meio.

Questionado, Guedes evitou responder. O parlamentar precisou repetir a pergunta para conseguir um posicionamento do ministro e a resposta foi, no mínimo, estranha: “Eu não sei quanto é que tem lá, não é o meu foco hoje”, disse. “Essa informação faz o ministro cair no ridículo. Quem é que mantém um investimento e não liga para o que está acontecendo, não busca saber se está sendo lucrativo ou não? Ou será que ele pra ele um lucro de R$400 mil por mês não faz diferença? Claramente, o ministro está escondendo um fundo milionário que, na minha opinião, tem conflito de interesse com o cargo que ele ocupa”, afirma Elias Vaz.

Offshore

Outra situação caracterizada por conflito de interesses é a offshore que Guedes mantém nas Ilhas Virgens Britânicas. O deputado Elias Vaz, um dos autores de pedido de convocação do ministro, revelou que ele omitiu à Comissão de Ética do governo que a filha continua como diretora da empresa. Por iniciativa de Elias Vaz (PSB-GO), foi protocolada representação no Ministério Público Federal para que seja investigada a participação tanto da filha quanto da esposa de Guedes. O objetivo é que o MPF analise o extrato de operações realizadas pela Dreadnoughts International de janeiro de 2019, quando Guedes assumiu a pasta, até agora.

“Guedes mentiu ao dizer que não tinha familiares em nenhuma empresa que pudesse configurar conflito de interesses. Ele disse que deixou a direção da offshore em dezembro de 2018, mas não falou que a filha continuou como diretora. Essa empresa está sob suspeita de ter recebido informações privilegiadas”, afirma Elias Vaz.

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