O homem que pode derrotar Caiado

Henrique Gessil

Desde a instituição da reeleição para cargos do Executivo na política brasileira, patrocinada com alto custo para os cofres públicos pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, poucos mandatários desperdiçaram a chance de ser reconduzidos ao cargo, transformando cada eleição em um quase certo mandato de oito anos. Mas há exceções.

Uma delas pode ocorrer em 2022. A administração desastrosa de Jair Bolsonaro (sem partido) na condução do país ao caos sanitário, econômico, ambiental e de civilidade, indica que ele deve ser o primeiro presidente a não se reeleger. As pesquisas, de todos os institutos, direcionam a esse caminho.

Eleito na onda do conservadorismo que levou o então aliado ao poder, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), pode seguir o mesmo caminho. Apesar da providencial aliança com o principal partido do estado, o MDB, e das dificuldades impostas ao marconismo, Caiado pode ser surpreendido pelo desafeto Gustavo Mendanha (sem partido).

Ao ser vencido na tentativa de viabilizar uma candidatura emedebista própria ao governo no ano que vem, por interesses pessoais do presidente estadual do partido, Daniel Vilela, Mendanha deixou o MDB e está em busca de aliados. Impulsionado pela maior votação proporcional do país na última eleição à prefeitura de Aparecida de Goiânia, quando conquistou 95,81% dos votos.

Ao anunciar sua desfiliação em vídeo nas mídias sociais, Mendanha mostrou que conhece seu potencial. “Mais do que um partido, nós temos que pensar no nosso Estado. O meu partido, nesse momento, é o Estado de Goiás”, afirmou, deixando claro as pretensões e a estatura que pretende alcançar.

Caiado, por sua vez, ao se aliar ao MDB e “garantir”a vice na chapa a Daniel, provocou insatisfação em várias frentes. Desagradou tanto aliados de primeira hora que gostariam da vice quanto os que almejam uma vaga ao Senado. Olhando de fora, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), acompanha a movimentação. Deu declarações favoráveis a Caiado, mas o presidente estadual de seu partido, o deputado federal evangélico João Campos, precisa de uma chapa que lhe garanta a disputa ao Senado, o que não existiria em uma aliança com o governador.

O apoio evangélico a Mendanha, inclusive, é outro trunfo. O grupo silencioso que o apoia pode pesar decisivamente nas urnas. O antibolsonarismo, se bem aproveitado, pode ser outra vantagem do prefeito de Aparecida. Há, ainda, outras opções, mais arriscadas, como o apoio a Lula (PT), que deve chegar como favorito à Presidência.

Seja qual for o caminho escolhido, uma coisa é certa. Gustavo Mendanha é o único que tem potencial – e muito potencial – de derrotar Ronaldo Caiado. A disputa vai ser boa.

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