Busca por tratamento com canabidiol dobra mês a mês em plataforma de consultas online

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 30% da população mundial sofre com dor crônica, caracterizada pela persistência do desconforto ao longo de dias ou até mesmo meses. Alguns casos acompanham o paciente por toda vida, exigindo o uso contínuo de medicamentos, entre outros procedimentos para melhorar a qualidade de vida do indivíduo. No Brasil, a estimativa é de que 37% da população enfrenta esse problema.

O tipo de medicamento empregado no tratamento da dor crônica varia conforme a intensidade. Para dores mais fortes, como aquelas que acometem pacientes com câncer, é comum a indicação de analgésicos opioides, geralmente os mais fortes, produzidos com morfina. Há alguns anos, porém, tem crescido a procura por medicamentos à base de fitocanabinoides, como o Canabidiol (CBD) e o Tetrahidrocanabinol (THC), ambos extraídos do cânhamo. Os relatos são de que os tratamentos com essas substâncias têm sido eficazes na redução da dor e também no tratamento de outros distúrbios.

Mas quem busca esse tipo de medicamento tem como dificuldade encontrar profissionais que conheçam e prescrevam o canabidiol. Dos quase 500 mil médicos que atuam em território nacional, estima-se que apenas mil conhecem e indicam tratamento com canabinoides. Desses, 42% estão em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem reside em outros Estados praticamente não tem acesso.

Foi daí que empresários e médicos resolveram criar a Medicina.in, plataforma focada em tratamentos com base na cannabis medicinal. Por ser virtual (telemedicina), a plataforma atende pacientes de qualquer parte do país. Desde que começou a funcionar, em dezembro de 2020, a Medicina.in já teve 779 agendamentos de consultas. “Em junho, tivemos 40 tratamentos iniciados. Temos dobrado mês a mês as consultas efetivas. A grande procura comprova que o acesso rápido e amplo a estes medicamentos já era esperado há anos pelos brasileiros”, afirma Darwin Ribeiro, sócio da empresa. 

A plataforma conta com ferramentas para os médicos, como calibragem de dosagem, prescrição digital, material de apoio clínico, e encontros científicos. Além de canais que possibilitam o acompanhamento constante do tratamento, como uma ferramenta que facilita a comunicação com o paciente. “O tratamento é individualizado, pois para cada pessoa é prescrita uma dose diferente, não há bula. E essa dose vai sendo ajustada conforme a necessidade”, explica o executivo.

A plataforma também tem uma área de apoio para a aquisição do medicamento. Nele, o paciente obtém todas as informações necessárias, passo a passo, para receber a autorização de importação. Segundo Albuquerque, isso foi necessário porque, apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar o uso de canabidiol já há alguns anos, não é qualquer farmácia que conta com o produto na prateleira. “É bom deixar claro que a plataforma não vende, apenas ajuda no caminho, o que agiliza bastante o processo”, ressalta. 

A expectativa dos empreendedores é de forte crescimento nos próximos anos. Até porque a demanda é alta. Segundo dados disponibilizados no site da Anvisa, até o final de 2020, 11 mil pacientes tinham licença para usar canabidiol no Brasil. A previsão da agência é chegar a 30 mil este ano e a 100 mil em 2022.

Potencial terapêutico

Embora seja usada para fins medicinais há quase 5 mil anos, apenas há poucas décadas cientistas e médicos vêm dedicando um crescente número de estudos mais aprofundados sobre o potencial terapêutico dos extratos de Cannabis, ou seja, os canabinoides.

Para entender o que são e qual a importância dos canabinoides, é preciso saber como funciona o sistema endocanabinoide do corpo humano. Assim como o sistema nervoso, sanguíneo, hormonal e vários outros, o sistema endocanabinoide (SEC) é crucial para o funcionamento saudável do corpo, sendo o responsável pela regulação de diversos processos fisiológicos e cognitivos como a imunidade, humor, memória, sono, apetite e até mesmo olfato.

Para cumprir o papel de regular o equilíbrio do corpo humano, o sistema endocanabinoide usa neurotransmissores que repassam as informações necessárias para que cada órgão cumpra sua função. A cannabis medicinal pode entrar em cena justamente quando alguma patologia prejudica essa comunicação causando desequilíbrios que podem ser combatidos com a introdução dos fitocanabinoides, ou seja, canabinoides de origem vegetal.

Estudos mostram que o CBD extraído do cânhamo tem eficácia comprovada no tratamento de diversas doenças. Ele atua no sistema nervoso central e tem potencial terapêutico para o tratamento de doenças psiquiátricas ou neurodegenerativas, como esclerose múltipla, esquizofrenia, mal de Parkinson, epilepsia, distúrbios de ansiedade, do sono e do movimento, assim como analgésico em doentes oncológicos terminais. Também tem se mostrado eficiente no tratamento de AVC, diabetes e náuseas. As principais áreas médicas a adotarem o CBD são a neurologia, a pediatria, a psiquiatria e a medicina esportiva.

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