Autor lança livro Religião e Outras Insanidades

— Meu nome é Paulo e eu sou adicto. Há um mês decidi que quero largar. Depois de uma semana limpo, ontem tive uma recaída. Logo nos primeiros parágrafos do seu livro de estreia, “Religião e outras insanidades”, publicado pela Editora Oficina Raquel, Miguel Pincerno fisga o leitor com o seu estilo inquietante, misterioso e proporciona um mergulho nas prisões ideológicas da fé, apresentando personagens e contextos que soam familiares a todos nós.

São nove contos permeados de imprevistos, muitas vezes perversos, causando um terror psicológico que leva o leitor a refletir sobre uma realidade determinada por crenças. Construídas, por vezes, com ironia, as histórias fictícias também trazem a provocação sobre      como as religiões e as estruturas de poder provocam comportamentos disfuncionais em nossas relações.

Parti da minha experiência pessoal e do momento atual do Brasil, que é preocupante, para a produção da obra – Explica Pincerno. Trafeguei por algumas religiões e tive um contato maior com o universo evangélico. Em determinado momento passei a questionar as regras impostas aos fiéis, de onde elas vinham e a quem interessavam. Questões morais como preservar a virgindade, por exemplo, me causavam desconforto porque eram impostas aos mais jovens com terror, sempre com a ameaça de uma punição.

“Religião e outras insanidades” tem o ritmo de uma boa série de suspense, em que o elemento estranho não permanece à vista.     Fãs de “Black Mirror” certamente encontrarão semelhanças entre os contos e os episódios da série da Netflix, que também tem na     linguagem o surgimento de elementos inesperados. No entanto, a realidade apresentada nas histórias de Miguel Pincerno não está num futuro hipotético, está acontecendo agora, cabe a nós abrir os olhos.

Agnóstico e com apenas 27 anos, Miguel Pincerno atua em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, o Google, e apesar da forte crítica ao mercado da fé, ele evita entrar no campo espinhoso da existência ou não de um Deus. “Tive um professor que dizia que os agnósticos eram apenas pessoas sem coragem suficiente para se assumirem ateus – eu discordo totalmente. O suporte ao argumento ateu de que nada existe é tão falho quanto o próprio argumento religioso. A verdade é que existe apenas o completo desconhecimento sobre a existência de algo além de nós. Qualquer tentativa de explicação é baseada em fé, até mesmo a fé em que nada existe – Finaliza Pincerno.

“Religião e outras insanidades” chega num momento em que se discute a forte influência da religião na política e em pautas comportamentais  e questiona – Quais são os efeitos colaterais da religião? Causa dependência? Manipula? Controla o Estado? Questões como essas permeiam a obra e vão além do discurso moral, afinal, o leitor está dentro ou fora da caixa?  

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